A menina de onze anos, Kailane Campos, foi vítima
da intolerância religiosa que está se espalhando pelo país. A criança que é
candomblecista foi apedrejada na saída de um culto, no último domingo, dia
14/06, no subúrbio do Rio de Janeiro. A marca da estúpida agressão está na
cabeça da menina, mas esta não é a maior cicatriz. “Achei que ia morrer. Eu sei
que vai ser difícil. Toda vez que eu fecho o olho eu vejo tudo de novo. Isso
vai ser difícil de tirar da memória”, afirmou Kailane Campos.
A garota foi agredida, segundo a avó, que é mãe
de santo, todos estavam vestidos de branco, porque tinham acabado de sair do
culto. Eles caminhavam para casa, na Vila da Penha, quando dois homens
começaram a insultar o grupo. Um deles jogou uma pedra, que bateu num poste e
depois atingiu a menina.
O que chamou mais a atenção dos candomblecistas “foi
que eles começaram a levantar a Bíblia e a chamar todo mundo de ‘diabo’, ‘vai
para o inferno’, ‘Jesus está voltando’", afirmou a avó da menina, Káthia
Marinho.
O caso foi registrado na delegacia como
preconceito de raça, cor, etnia ou religião e também como lesão corporal,
provocada por pedrada. Os agressores fugiram num ônibus. A polícia, agora,
busca imagens das câmeras de segurança do veículo para tentar identificar os
dois agressores.
A avó da criança lançou uma campanha na internet
e tirou fotos segurando um cartaz com as frases: “Eu visto branco, branco da
paz. Sou do candomblé, e você?”. A campanha recebeu o apoio de amigos e pessoas
que defendem a liberdade religiosa. Uma delas escreveu: “Mãe Kátia, estamos
juntos nessa”.
A avó
da garota diz que nunca havia passado por uma situação como essa.

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