O matemático inglês Andrew Wiles que solucionou o
último teorema de Fermat, um dos problemas mais difíceis da história da álgebra,
recebeu nesta terça-feira, dia 15 de março, o Prêmio Abel, o segundo mais
importante na área.
O Último
Teorema de Fermat é assim conhecido por ser o último teorema feito pelo
matemático e cientista Pierre de Fermat
(França, 1601-1665) sem demonstração que o provasse.
Wiles que é professor da Universidade de Oxford
propôs em 1994 a solução para o problema que havia sido postulado em 1637 pelo
francês.
A história foi contada no livro "O Enigma de
Fermat", de Simon Singh, que se tornou best-seller e fez Wiles ficar
conhecido fora de seu círculo acadêmico.
O chamado último teorema de Fermat, na verdade, era
uma afirmação deixada pelo matemático anotada de maneira informal, na margem de
um livro.
O teorema surgiu a partir de um estudo sobre o
famoso Teorema de Pitágoras, que determina que o quadrado da hipotenusa é igual
à soma do quadrado dos catetos. Adotando x e y como catetos e z como
hipotenusa, a fórmula que determina essa relação é: x² + y² = z²
O que Fermat fez, basicamente, foi estender a
fórmula usada por Pitágoras para calcular as laterais do triângulo retângulo (a²
× b² = c²), mas explorando outras potências (aⁿ × bⁿ = cⁿ).
Segundo ele, usando variáveis com números inteiros,
não existiria nenhuma solução para a equação quando o valor da potência n
fosse maior ou igual a três.
Fermat relatou ter desenvolvido um teorema para
provar essa hipótese, mas nunca o publicou. Outros matemáticos tentaram construir
uma prova ao longo dos séculos, mas falharam até a prova de Wiles ser aceita,
em 1994.
Usando uma demonstração de formalismo elaborado, o
inglês conseguiu provar que Fermat estava correto. A façanha rendeu ao
matemático não apenas fama, mas uma dúzia de prêmios importantes na área.
Faltava ainda, porém, a segunda mais cobiçada
láurea da matemática: o Prêmio Abel, concedido anualmente.
Esse era o prêmio mais importante que Wiles poderia
receber porque a Medalha Fields, considerada o "Nobel da matemática",
só é concedida a pesquisadores com menos de 40 anos. Wiles tinha acabado de
completar essa idade quando publicou sua solução do problema, o que o tornou
inelegível.
"Andrew J. Wiles é um dos poucos matemáticos
-- se não o único -- cuja prova de um teorema foi parar nas manchetes
internacionais", afirmou um comunicado da Academia de Ciências da Noruega,
que concede o Prêmio Abel.

