sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

Atentado na França



Quarta-feira, por volta das 11h30min., horário local, três terroristas integrantes do EI – Estado Islâmico, atacaram a sede do semanário Charlie Hebdo, em Paris. No atentado morreram:

- Stéphane Charbonnier: o diretor do semanário, 47 anos, conhecido como Charb, já tinha recebido ameaças de morte e estava desde 2011 sob proteção policial;

- Jean Cabut: Conhecido como Cabu, estava no jornal desde 1970, tinha 76 anos e era uma das grandes estrelas do jornal satírico “Le Canard Enchaîné”. Esquerdista, não escondia de ninguém sua preferência política;

- Georges Wolinski: Nascido na Tunísia em 28 de junho de 1934, filho de uma franco-italiana e um judeu polonês, ele começou a carreira na revista “Rustica” em 1958. É um dos grandes nomes na França do Maio de 68, ano em que fundou o jornal “L’énragé”. Trabalhou no “Hara-Kiri” e contribuía com a “Charlie Hebdo” desde o seu lançamento. Durante a sua carreira, colaborou com “Paris Match”, o “L’Humanité”, o “Le journal du Dimanche” e o “Le Nouvel Observateur”;

- Bernard Verlhac: Mais conhecido como Tignous, de 58 anos, o cartunista também colaborava para várias publicações, entre elas a famosa revista francesa “Marianne”;

- Bernard Maris: 68 anos, era economista e assinava semanalmente uma coluna na publicação;
- O cartunista Philippe Honoré; Mustapha Ourad e Fredéric Boisseau, que trabalhavam em diferentes funções no jornal; e a psicanalista e colunista Elsa Cayat também foram mortos;

- Michel Renaud: Ex-diretor de gabinete da prefeitura de Clermont-Ferrand, estava de passagem no “Charlie Hebdo”, onde fora se encontrar com Cabu.

Policiais

- Franck D., de 49 anos, era o responsável pela proteção de Charb, o editor-chefe do jornal;
- Ahmed Merabet, muçulmano, trabalhava na delegacia do bairro 11 e foi morto na calçada, aos 42 anos.

No ataque onze pessoas saíram feridas.

Os suspeitos são, segundo as autoridades policiais francesas, são Said Kouachi e Cherif Kouachi (nacionalidade francesa), de cerca de 30 anos, e Hamyd Mourad, um jovem de 18 anos (nacionalidade não foi revelada). Uma grande operação envolvendo grupos de elite da polícia ocorria na noite desta quarta-feira na cidade de Reims, no nordeste da França, disse à AFP um oficial.

Como se deu o ataque terrorista 

Segundo testemunhas, homens armados com kalashnikovs e um lança-foguetes invadiram a redação da revista de humor Charlie Hebdo e de forma determinada, demonstrando sangue-frio e coordenação, dispararam contra os funcionários da publicação, visando especialmente aos desenhistas.

De acordo com fontes policiais, os autores do ataque gritaram "Vingamos o Profeta!", em referência a Maomé, alvo de charges publicadas há alguns anos pela revista, o que provocou revolta no mundo muçulmano.

Ao abandonar o prédio, os agressores atiraram contra um policial, atacaram um motorista e atropelaram um homem com o carro roubado. A polícia iniciou uma busca pelos agressores pelas ruas de Paris e as autoridades pediram à população que evitasse circular e utilizar transportes públicos.

A caçada aos terroristas

Após o atentado ao semanário Charlie Hebdo os terroristas fugiram em direção ao interior da França.

Após a localização do grupo armado, a polícia francesa invadiu o cativeiro, em Dammartin-en-Goële, na capital, matando os irmãos Kouchani, apontados como autores do ataque à revista Charlie Hebdo.

Pouco antes das 16H00 GMT (14H00 de Brasília), detonações e explosões foram ouvidas e uma coluna de fumaça começou a subir no local, constataram jornalistas da AFP no local.

Segundo o jornal francês Le Monde, Chérif e Saïd Kouachi foram mortos durante a invasão do local. As informações foram repassadas pela direção da Polícia Nacional da França.

Citando fontes dentro da polícia, o jornal também afirma que o suspeito que fazia reféns em um supermercado de Paris (bairro de Vincennes), também foi morto.

Agora a polícia francesa começa as investigações para tentar descobrir possíveis integrantes do grupo terrorista ainda em solo francês.

Quem são os terroristas

Os irmãos Said e Cherif Kouachi, acusados do massacre na revista satírica Charlie Hebdo, fazem parte de um grupo de jovens muçulmanos franceses doutrinados nos anos 2000 em Paris.

Ambos estiveram vinculados à chamada rede de Buttes-Chaumont, o nome de um parque do norte de Paris, onde os integrantes faziam exercícios físicos e recrutavam combatentes para a jihad ("Guerra Santa") no Iraque.

Depois de desbaratar a rede, a polícia descreveu Cherif Kouachi como um jovem que odiava os infiéis e que tinha a intenção de agir na França. Em 2008 foi julgado e condenado a três anos de prisão, com 18 meses de pena condicional. Said, seu irmão mais velho, mais discreto, esteve no Iêmen em 2011, onde recebeu treinamento militar, segundo uma autoridade americana.

Segundo disse um funcionário americano à France Presse, os dois irmãos também integram "há anos" a lista negra de terroristas elaborada pelos Estados Unidos. Eles "estão há anos em nossa lista de vigilância", disse o funcionário, que pediu para não ser identificado. Os nomes deles foram incluídos até na famosa "No Fly List", que proíbe a presença em vôos para ou a partir dos Estados Unidos.

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Nepotismo em Roraima. Governadora eleita emprega quase toda família e nomeados vão custar R$ 398 mil por mês ao Erário


Dezenove secretários de Estado e adjuntos são ligados à governadora Suely Campos (PP).



A governadora eleita Suely Campos (PP), do estado de Roraima, nomeou dezenove parentes para as secretarias de Roraima e devem receber juntos salários mensais que chegam a R$ 398 mil, segundo o Diário Oficial da Assembleia. A assessoria de comunicação do governo do Estado de Roraima comunicou que o subsídio dos secretários estaduais e adjuntos foi concedido através de Decreto Legislativo promulgado pela Mesa Diretora da Assembleia, em 28 de dezembro de 2014, ainda na gestão do ex-governador, Chico Rodrigues (PSB).


(Foto: Inaê Brandão/G1 RR)

 

Ainda segundo a nota: "... a escolha do primeiro escalão seguiu critérios de confiança, capacidade técnica e disposição para reconstruir Roraima. Todos os atos de nomeação seguiram critérios de legalidade", esclarece a nota.

Com as nomeações, as irmãs da governadora, Emília Santos e Danielle Araújo, filhas de Suely Campos, devem juntas receber R$ 46 mil por mês ao chefiarem a Secretaria Estadual de Trabalho e Bem-Estar Social (Setrabes) e a Casa Civil, respectivamente. O Estado de Roraima também vai desembolsar R$ 39 mil para pagar os subsídios dos tios da governadora: Selma Mulinari, titular da Secretaria Estadual de Educação (Seed), e João Paulo de Souza e Silva, adjunto da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa). Os dois são irmãos de Suely.

Ainda cinco sobrinhos de Neudo Campos, marido da governadora, no lugar de quem disputou as eleições de 2014 após ele ter o registro de candidatura negado duas vezes no Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR), também ganharam cargos no primeiro escalão do estado.

São eles: Júlia Vieira Campos, que assumiu a reitoria da Universidade Virtual de Roraima e Anderson Campos, adjunto da Secretaria de Infraestrutura (Seinf). Kalil, Paulo e Frederico Linhares, titular e adjunto da Secretaria Estadual de Saúde (Sesau), e secretário de estado da Gestão Estratégica e Administração, respectivamente, também foram nomeados no último dia 2. Juntos irão receber quase R$ 100 mil.

A renda da família do titular da Secretaria Estadual de Justiça e Cidadania (Sejuc), Josué dos Santos Filho, sogro de Emília Santos, filha de Suely Campos, também é alta. Ele e sua esposa, que é a secretária adjunta da Educação Graciela Ziebert, o filho, ouvidor geral do estado Hugo Leonardo Santos, e a nora, controladora geral Isabela Dias, irão faturar ao todo quase R$ 90 mil por mês.

A lista de nomeados por Suely também possui parentes mais distantes. O adjunto da Secretaria Estadual de Cultura (Secult) é concunhado do esposo de Daniele Araújo, filha da governadora, e o presidente do Instituto de Terras de Roraima (Iteraima), Francisco Santiago, marido de uma prima de Suely. Eles, assim como o primo de Suely, Hipérion de Oliveira, titular da Agricultura, Weberson Reis Pessoa da Agência de Fomento de Roraima (Aferr) e o presidente do Departamento Estadual de Trânsito (Detran-RR), Juscelino Kubischeck receberão cada um R$ 23 mil por mês.