quarta-feira, 20 de maio de 2015

Esconda o Meu Traseiro



Esses fatos narrados abaixo são até mesmo corriqueiros na vida de quem, de uma hora para outra ficou milionário. Ou como o acaso também contribui para as grandes revoluções pessoais e da humanidade.

A história é a seguinte: Um jovem estudante britânico, chamado de Jack Cator, então com dezesseis anos de idade - no ano de 2005, insatisfeito com um bloqueio da sua escola a sites de músicas e jogos, resolveu burlar o sistema de proteção e resolveu criar seu próprio provedor de rede privada.

Como exímio programador, decidiu usar seus conhecimentos técnicos para invadir o sistema da escola e acessar aquilo que realmente interessava a um jovem de apenas 16 anos. "Pensei que seria engraçado furar o bloqueio montado pela escola", diz Cator, agora com 26 anos.

Para fazer isso, ele usou um site que simula a impressão digital de um computador, ao roteá-lo por meio de um servidor remoto, normalmente localizado no exterior, e permitindo ao usuário navegar na internet de modo anônimo e privado. Tais sites franqueiam aos usuários acesso à chamada rede privada virtual (VPN, na sigla em inglês).

Mas descontente com a qualidade dos então provedores de VPN, que, segundo ele, não eram fáceis de usar e veiculavam muita propaganda, Cator decidiu lançar-se a um desafio maior. Criar a sua própria rede.

Em apenas uma tarde, sentado no sofá da casa de seus colocou seu site funcionando, batizado com um nome inconfundível – Hide My Ass (HMA, ou "Esconda o Meu Traseiro").

Hoje, dez anos depois, Cator vendeu seu negócio, pelo equivalente a R$ 190 milhões.

A HMA, que Cator transformou em uma das maiores empresas de VPN do mundo, sem o aporte de qualquer investidor externo, foi comprada pela gigante de software AVG.

A AVG está trazendo para seu portfólio uma empresa com mais de dois milhões de clientes, com um faturamento anual de 11 milhões de libras (R$ 52 milhões) e um lucro que excede 2 milhões de libras (R$ 9,5 milhões).

Com 16 anos quando, Cator já entendia profundamente sobre arte de promover sites, e também sobre como ganhar dinheiro na internet. Naquela época, ele começou a promover o site em fóruns de internet para gerar repercussão.

A HMA ganhava dinheiro com o chamado "programa de afiliados". Em linhas gerais, isso significa receber, por exemplo, uma comissão de um site varejista toda vez que um usuário acessar e compra algo ali por meio de um intermediário, no caso, o site de Cator.

Em um mês após seu lançamento, a HMA já tinha centenas de milhares de usuários espalhados pelo mundo, e faturamento da ordem de 15 mil libras (R$ 71 mil) por ano.

"Fiquei muito surpreso como tudo isso. Nunca montei um plano de negócios ou nada do gênero", relembra.

"Eu lancei o site inteiro em uma única tarde. Mas se as pessoas acham que é uma boa causa, eles vão compartilhá-lo".

Com muito dinheiro no bolso, Cator decidiu permanecer na escola e foi cursar informática na universidade.
Mas em 2009 ele decidiu largar a faculdade para se dedicar integralmente à HMA, criando um serviço pago que possui agora mais de 200 mil assinantes.

Mas para que o seu negócio crescesse, Cator percebeu que precisaria de funcionários, que ele tratou de contratar em um regime de colaboração.

Mas na medida em que a empresa cresceu, Cator se deu conta rapidamente das limitações desse sistema.

"Uma coisa de que eu me arrependo é não ter aberto um escritório... e transformar o meu negócio em uma empresa de verdade um pouco mais cedo", acrescenta.

"Quando você cresce muito rápido, chega um ponto em que contratar as pessoas remotamente não é ideal – pois há muita confiança em jogo", diz.

"Em um determinado momento, eu tinha pessoas trabalhando para mim em sete ou oito países, e você não sabe quem elas são até certo ponto", alega.

Cator acrescenta que a gota d'água veio quando um de seus funcionários tentou criar uma empresa concorrente.

Em 2012, o jovem decidiu buscar um teto físico para sua companhia. Ele abriu um escritório e transformou colaboradores de muito tempo em funcionários de tempo integral.

Naquele mesmo ano, Cator se mudou para Londres, onde estabeleceu a sede da HMA no bairro do Soho. 

Enquanto isso, outros escritórios foram abertos em Belgrado (Sérvia) e em Kiev (Ucrânia).

Atualmente, 100 funcionários trabalham no HMA, cujo faturamento dobra a cada ano.

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