Um grupo de brasileiros tenta viabilizar o envio da
primeira missão sul-americana à Lua, não haverá pouso no nosso satélite natural.
Seria a primeira vez que o Brasil realizaria uma missão além da órbita
terrestre. A previsão é que o satélite (nanossatélite um pequeno satélite não
tripulado) seja lançado até dezembro de 2020.
A missão foi batizada de “Garatéa-L”, que significa
“Busca Vidas” em tupi-guarani, e conta com a parceria da Agência Espacial
Europeia (ESA) e da Agência Espacial do Reino Unido (UK Space Agency). Esta
deverá ser a primeira missão comercial de espaço além da órbita da Terra, dessas
agências.
O veículo utilizado para por em órbita o
nanosatélite é o foguete indiano PSLV-C11 que também levará mais cinco
pequenos satélites, entre eles o brasileiro.
O foguete indiano já enviou com sucesso a missão
Chandrayaan-1 para a lua, em 2008. De acordo com um dos organizadores do
projeto do Brasil, Lucas Fonseca, engenheiro espacial, a missão deverá custar
R$ 35 milhões e será uma Parceria Público-Privada (PPP).
“Essa missão vem sendo planejada desde 2013 e,
cerca de um mês atrás, fomos aceitos numa iniciativa europeia para embarcar uma
missão brasileira numa missão conjunta de vários países para ir até a Lua”,
disse Fonseca, que já participou do envio, trabalhando com a ESA, da sonda
Rosetta, que fez o primeiro pouso em um cometa, em 2014.
"O Brasil tem satélites de baixa órbita e
média órbita. Nunca foi além da órbita terrestre. Seria a primeira missão
brasileira a investigar o espaço profundo", explicou Fonseca.
A nave-mãe da Pathfinder também fornecerá o serviço
de comunicação para os cientistas na Terra, com coleta de dados por pelo menos
6 meses. A missão brasileira levará diversas colônias de organismos vivos e
moléculas de interesse biológico, que serão expostos à radiação cósmica. O experimento
quer investigar os efeitos do espaço nas diferentes formas de vida. Amostras de
células humanas também serão embarcadas.
“A busca por vida fora da Terra necessariamente
passa por entender como ela pode lidar - e eventualmente sobreviver - a
ambientes de muito estresse, como é o caso da órbita lunar”, disse Douglas
Galante, do Laboratório Nacional de Luz Síncroton (LNLS), em Campinas, um dos
coordenadores do projeto.
Além de possibilitar o estudo com organismos vivos
e moléculas, a Garatéa-L será colocada em uma órbita que permitirá a coleta de
imagens da bacia de Aitken, cratera localizada do lado oculto da lua. Para a
concretização da missão, em 2020, tudo precisa estar pronto em 2019, ano em que
o homem completa 50 anos de sua primeira missão à lua.
A apresentação ao público da missão será nesta
terça-feira (29), às 19h, na Escola de Engenharia da USP em São Carlos,
interior de São Paulo.

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