quinta-feira, 9 de junho de 2016

Fóssil inédito de ancestral de ‘hobbit’ de 700 mil anos foi encontrado na Indonésia



O hominídeo encontrado na ilha de Flores (Indonésia) tinha provavelmente um metro de altura e 'encolheu' a partir de Homo erectus.

Em 2004, cientistas revelaram a descoberta de fósseis de uma espécie humana até então desconhecida. O material encontrado pertencia a um hominídeo de apenas um metro de altura que, pela diminuta estatura, foi apelidado de "hobbit".

Após uma década pesquisadores encontraram na mesma ilha, fósseis pertencentes aos ancestrais dos hobbits, espécimes ainda menores que viveram no local há pelo menos 700 mil anos, mais de 500 mil anos antes do que os Homo florensiensis, revelados em 2004.

A descoberta, foi descrita em dois artigos publicados na revista “Nature”, dá pistas sobre a evolução do Homo floresiensis e soluciona uma dúvida sobre o que poderia explicar a estatura tão pequena da espécie: seriam descendentes do Homo erectus que encolheram ao longo dos anos vivendo na ilha ou teriam eles evoluído de espécies mais primitivas e menores, como o Homo habilis?

O achado revela, ainda, não apenas que a primeira hipótese é a mais provável, mas também que esse processo de encolhimento provavelmente ocorreu de forma muito rápida em termos evolutivos – no período de 300 mil anos.

Para a cientista Ainda Gómez-Robles: “trezentos milênios podem não parecer um período ‘curto’ de tempo para muitos leitores. Mas não se conhece nenhuma transformação tão dramática na evolução dos hominídeos que tenha ocorrido em uma escala de tempo tão breve”.

Entre os fósseis descobertos estão um fragmento de mandíbula e seis dentes de ao menos três hominídeos distintos.

“A morfologia dos fósseis dos dentes também sugerem que essa linhagem humana representa um descendente ‘encolhido’ dos primeiros Homo erectus que de alguma forma foi parar na ilha de Flores”, diz o cientista Yousuke Kaifu, do Museu Nacional de Natureza e Ciência de Tóquio, um dos autores da pesquisa.

O cientista Gerrit van den Bergh, da Universidade de Wollongong, na Austrália, também autor do estudo, observa que foram encontrados, na mesma região, artefatos que datam de ao menos um milhão de anos, o que indica que essa linhagem estava presente na ilha ao menos 300 mil anos antes daqueles exemplares descobertos. Por isso acredita-se que o processo de encolhimento tenha se dado nesse intervalo de tempo.

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