Quarta-feira, por volta das 11h30min., horário
local, três terroristas integrantes do EI – Estado Islâmico, atacaram a sede do
semanário Charlie Hebdo, em
Paris. No atentado morreram:
- Stéphane Charbonnier: o
diretor do semanário, 47 anos, conhecido como Charb, já tinha recebido ameaças
de morte e estava desde 2011 sob proteção policial;
- Jean Cabut: Conhecido como
Cabu, estava no jornal desde 1970, tinha 76 anos e era uma das grandes estrelas
do jornal satírico “Le Canard Enchaîné”. Esquerdista, não escondia de ninguém
sua preferência política;
- Georges Wolinski: Nascido na
Tunísia em 28 de junho de 1934, filho de uma franco-italiana e um judeu
polonês, ele começou a carreira na revista “Rustica” em 1958. É um dos grandes
nomes na França do Maio de 68, ano em que fundou o jornal “L’énragé”. Trabalhou
no “Hara-Kiri” e contribuía com a “Charlie Hebdo” desde o seu lançamento.
Durante a sua carreira, colaborou com “Paris Match”, o “L’Humanité”, o “Le
journal du Dimanche” e o “Le Nouvel Observateur”;
- Bernard Verlhac: Mais
conhecido como Tignous, de 58 anos, o cartunista também colaborava para várias
publicações, entre elas a famosa revista francesa “Marianne”;
- Bernard Maris: 68 anos, era
economista e assinava semanalmente uma coluna na publicação;
- O cartunista Philippe Honoré; Mustapha
Ourad e Fredéric Boisseau, que trabalhavam em
diferentes funções no jornal; e a psicanalista e colunista Elsa Cayat
também foram mortos;
- Michel Renaud: Ex-diretor de
gabinete da prefeitura de Clermont-Ferrand, estava de passagem no “Charlie
Hebdo”, onde fora se encontrar com Cabu.
Policiais
- Franck D., de 49 anos, era o
responsável pela proteção de Charb, o editor-chefe do jornal;
- Ahmed Merabet, muçulmano,
trabalhava na delegacia do bairro 11 e foi morto na calçada, aos 42 anos.
No ataque onze pessoas saíram feridas.
Os suspeitos são,
segundo as autoridades policiais francesas, são Said Kouachi e
Cherif Kouachi (nacionalidade francesa), de cerca de 30 anos, e Hamyd Mourad,
um jovem de 18 anos (nacionalidade não foi revelada). Uma grande operação
envolvendo grupos de elite da polícia ocorria na noite desta quarta-feira na
cidade de Reims, no nordeste da França, disse à AFP um oficial.
Como se deu o ataque terrorista
Segundo testemunhas, homens armados com
kalashnikovs e um lança-foguetes invadiram a redação da revista de humor
Charlie Hebdo e de forma determinada, demonstrando sangue-frio e coordenação,
dispararam contra os funcionários da publicação, visando especialmente aos
desenhistas.
De acordo com fontes policiais, os autores do
ataque gritaram "Vingamos o Profeta!", em referência a Maomé, alvo de
charges publicadas há alguns anos pela revista, o que provocou revolta no mundo
muçulmano.
Ao abandonar o prédio, os agressores atiraram
contra um policial, atacaram um motorista e atropelaram um homem com o carro
roubado. A polícia iniciou uma busca pelos agressores pelas ruas de Paris e as
autoridades pediram à população que evitasse circular e utilizar transportes
públicos.
A caçada
aos terroristas
Após o atentado ao semanário Charlie Hebdo os
terroristas fugiram em direção ao interior da França.
Após a localização do grupo armado, a polícia
francesa invadiu o cativeiro, em Dammartin-en-Goële, na capital, matando os
irmãos Kouchani, apontados como autores do ataque à revista Charlie Hebdo.
Pouco antes das 16H00 GMT (14H00 de Brasília),
detonações e explosões foram ouvidas e uma coluna de fumaça começou a subir no
local, constataram jornalistas da AFP no local.
Segundo o jornal francês Le Monde,
Chérif e Saïd Kouachi foram mortos durante a invasão do local. As informações
foram repassadas pela direção da Polícia Nacional da França.
Citando fontes dentro da polícia, o jornal também
afirma que o suspeito que fazia reféns em um supermercado de Paris (bairro de Vincennes),
também foi morto.
Agora a polícia francesa começa as investigações
para tentar descobrir possíveis integrantes do grupo terrorista ainda em solo
francês.
Quem são
os terroristas
Os irmãos Said e Cherif Kouachi, acusados do
massacre na revista satírica Charlie Hebdo, fazem parte de um grupo de jovens
muçulmanos franceses doutrinados nos anos 2000 em Paris.
Ambos estiveram vinculados à chamada rede de
Buttes-Chaumont, o nome de um parque do norte de Paris, onde os integrantes
faziam exercícios físicos e recrutavam combatentes para a jihad ("Guerra
Santa") no Iraque.
Depois de desbaratar a rede, a polícia descreveu
Cherif Kouachi como um jovem que odiava os infiéis e que tinha a intenção de
agir na França. Em 2008 foi julgado e condenado a três anos de prisão, com 18
meses de pena condicional. Said, seu irmão mais velho, mais discreto, esteve no
Iêmen em 2011, onde recebeu treinamento militar, segundo uma autoridade
americana.
Segundo disse um funcionário americano à France
Presse, os dois irmãos também integram "há anos" a lista negra de
terroristas elaborada pelos Estados Unidos. Eles "estão há anos em nossa
lista de vigilância", disse o funcionário, que pediu para não ser
identificado. Os nomes deles foram incluídos até na famosa "No Fly
List", que proíbe a presença em vôos para ou a partir dos Estados Unidos.


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